E eu, sozinha, clamava no deserto
Como profetisa de mim mesma,
Na verdade, morava ali bem perto
No casarão, onde sou a abantesma.
Morreu primeiro minha mãe depois meu pai,
Minhas irmãs casaram e se mudaram
Os amigos rindo foram-se ao Hawai
Com suas pranchas e nunca mais voltaram.
Bah! Bem quis levar-me o Rodo, meu irmão,
Com ele na Ferrari pela estrada
Pra ser trunfo derradeiro, ali à mão...
Mas depois de uma ou duas aventuras,
Aqui estou eu, vinhateira conformada,
Minhas uvas um tanto mais maduras...
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14/11/2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
sábado, 23 de julho de 2016
Metáforas (de Alma Welt)
O estancieiro (o avô da Alma)- água-forte de Guilherme de Faria, 1968
Metáforas (de Alma Welt)
"Não te vejo como parte da manada",
Disse um dia meu avô estancieiro
Dando na própria perna uma lambada,
De chibata na mão o dia inteiro...
"Mas que manada?" Pensava eu, guria
Solitária, saltitando na coxilha
Com as sílabas nos dedos da poesia,
Minhas únicas reses numa milha...
Mas então percebi o duplo mundo
Que uma simples metáfora destampa,
Comigo num espelho mais ao fundo.
As reses, na verdade, eram as uvas,
Eu, a vinha solitária neste Pampa,
Que meu avô podava, mas com luvas...
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22/07/2016
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