domingo, 24 de agosto de 2014

O vinho e a rolha (de Alma Welt)


A vida é construída de memórias,
Segundo a segundo, e remorsos
Não das singelezas mas das glórias
Relativas apesar de mil esforços...

Quanto a mim, não busquei podres poderes,
E muito menos o fruto da ambição
Que atrai mais os tolos, fúteis seres,
Que talvez negligenciem o coração...

Mas aqui não ficarei deitando regra,
Que não tenho de sábia a veleidade
Que a própria sapiência desintegra...

Mas expresso ou canto minha escolha
E portanto um tempo e sua saudade,
O tempo que era o vinho e não a rolha...

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A Última Vindima ( de Alma Welt)


 
As uvas estão prontas para o vinho
E eu para pisá-las no lagar.
A safra será boa, eu adivinho,
Pois o ano esqueceu-se de gear.


Mas estarei pronta pro destino?
O fim que se aproxima é bem vindo?
Não posso nem ouvir toque de sino
Que o coração me vai diminuindo...


E eu choro e me lamento na vindima
Quando deveria estar sorrindo
No meio destas uvas ou lhes em cima

 
 Com a disposição de outrora e alegria
Quando o sonho do meu vinho era lindo
E de um cálice sinistro eu não bebia...